



Eu, você, gregos e troianos
Me, you, Greeks and Trojans
Em termos de estrutura cênica, Eu, você, gregos e troianos (2005) constrói-se pela colagem de fragmentos provenientes de diferentes tragédias gregas. O espetáculo configura-se como uma espécie de ode ao universo do teatro da Grécia Antiga — às suas tematizações e às suas características dramáticas — ainda que se edifique, paradoxalmente, pela explosão dessas mesmas matrizes, em especial da unidade aristotélica de ação, espaço e tempo.
O tempo, aliás, estabelece-se como eixo paralelo da encenação, estruturando uma travessia que vai da escuridão — associada a temporalidades primordiais — à luz — vinculada a uma ideia de apogeu civilizatório. O espetáculo organiza-se em três movimentos: um prólogo imerso no breu, marcado pelo sacrifício de Ifigênia; um primeiro ato iluminado por lanternas que atravessam Tróia e sua devastação mitológica; e um segundo ato que alcança a plena luminosidade com o retorno à Grécia.
A veia épica do teatro grego constitui um dos vetores de interesse dos Irmãos Guimarães, que incorporam múltiplos fragmentos narrativos à dramaturgia, ampliando sua dimensão coral e histórica. Os figurinos contemporâneos explicitam o desejo de atualizar o clássico e tensionar seus possíveis sentidos na sociedade atual.
O embate com o universo grego revela-se, assim, como um embate com as próprias bases do teatro. Nesse trabalho, o procedimento de colagem e sobreposição — por vezes quase aleatório — aproxima-se dos primeiros experimentos de Tadeusz Kantor, evidenciando o caráter híbrido da criação e seu diálogo direto com as artes visuais.
In terms of scenic structure, I, you, Greeks and Trojans (2005) is built through the collage of fragments drawn from various Greek tragedies. The production operates as a kind of ode to the universe of Ancient Greek theatre—its thematic fields and dramatic characteristics—even as it is paradoxically constructed through the explosion of those very matrices, particularly the Aristotelian unities of action, space, and time.
Time itself emerges as a parallel axis of the staging, structuring a passage that moves from darkness—associated with primordial temporalities—toward light—linked to an idea of civilizational apogee. The performance unfolds in three movements: a prologue immersed in blackout, marked by the sacrifice of Iphigenia; a first act illuminated by lanterns moving through Troy and its mythological devastation; and a second act that reaches full luminosity with the return to Greece.
The epic vein of Greek theatre constitutes one of the Guimarães Brothers’ central points of interest, leading them to incorporate multiple narrative fragments into the dramaturgy, expanding its choral and historical dimension. Contemporary costumes make explicit the desire to update the classical material and to tension its possible meanings within contemporary society.
The confrontation with the Greek universe thus becomes a confrontation with the very foundations of theatre itself. In this work, the procedures of collage and superimposition—at times nearly aleatory—recall the early experiments of Tadeusz Kantor, foregrounding the hybrid character of the creation and its direct dialogue with the visual arts.
Texto
[Text]
Livre adaptação de textos de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes
[Free adaptation of texts by Aeschylus, Sophocles and Euripides]
Direção, dramaturgia e cenografia
[Direction, dramaturgy and set design]
Adriano Guimarães, Fernando Guimarães
Elenco
[Cast]
Alex Ferro, Ana Paula Braga, Carol Nemetala, Dora Wainer, Gustavo Torres, Henriqueta Mattos, Juliano Cazarré, Lanna Guedes, Luciana Lobato, Mari Dantas, Mateus Ferrari, Pablo Oliveira, Patrícia Gois, Sérgio Sartório, Suellen Paiva, Vitória Furtado, Wandilene Macedo, William Ferreira
Coreografia
[Choreography]
Carol Nemetala
Iluminação
[Lighting design]
Dalton Camargos
Sonoplastia
[Sound design]
Pablo Oliveira
Músicas originais
[Original music]
Mateus Ferrari
Fotografia
[Photography]
Bruno Torres, Dalton Camargos, Sérgio Martins
Vídeos
[Videos]
Dalton Camargos, Fernando Santana