



No singular.
Nada se move.
In the singular.
Nothing moves.
Na instalação No singular. Nada se move. (2013), o visitante se depara com os fundos de uma casa feita de ripas de madeira. O que se anuncia, de imediato, é uma ideia de fechamento: não apenas para o exterior, mas — de modo mais radical — para a própria invasão das imagens. Um murmúrio atravessa o espaço, como se a casa respirasse por frestas.
Ao contornar essa construção, em busca de uma entrada, o público encontra três projeções duplas de vídeo, em preto e branco. São imagens de ações recorrentes, sem começo nem fim, articuladas como um ciclo. Na primeira, uma mulher cava um buraco com dificuldade. Na segunda, um velho atravessa lentamente um descampado. Na terceira, um bebê ensaia formas iniciais de comunicação. Em cada uma dessas projeções, um texto atravessa a borda da imagem em movimento contínuo — como se as palavras, mais do que comentar, produzissem duração.
Dentro da casa, entre a luz tênue e a escuridão, uma mesa com cadeiras organiza uma situação de permanência: sentamo-nos para ouvir. Duas vozes se sobrepõem, quase como uma peroração, criando uma camada sonora densa, por vezes indecifrável. O sentido não se entrega de maneira plena: ele é capturado aos poucos, em fragmentos, aqui e ali, como quem tenta acompanhar algo que já começou antes e seguirá depois.
In the installation In the singular. Nothing moves. (2013), the visitor is confronted with the back of a house made of wooden slats. What is immediately announced is an idea of enclosure: not only against the outside, but—more radically—against the very intrusion of images. A murmur runs through the space, as if the house were breathing through cracks.
As one circles the structure in search of an entrance, the audience encounters three paired video projections in black and white. They depict recurring actions, without beginning or end, articulated as a cycle. In the first, a woman laboriously digs a hole. In the second, an old man slowly crosses an open field. In the third, a baby rehearses early forms of communication. In each of these projections, a text moves continuously across the edge of the image—as if words, rather than commenting, were producing duration.
Inside the house, between dim light and darkness, a table with chairs establishes a situation of staying: we sit down to listen. Two voices overlap, almost like an oration, forming a dense sonic layer, at times indecipherable. Meaning does not fully offer itself; it is grasped gradually, in fragments, here and there, like trying to follow something that began earlier and will continue afterward.
Curadoria
[Curatorship]
Marília Panitz
Voz
[Voice]
Emanuel Aragão, Leandro Menezes, Valéria Rocha, a partir dos textos de [based on texts by] Emanuel Aragão
Captação e tratamento de som
[Sound recording and processing]
Tomás Seferin
Performers
Leandro Menezes, Valéria Rocha
Projeto expográfico
[Exhibition design]
Ismael Monticelli
Fotografia [Photography]
Emilia Silberstein, Ismael Monticelli, Vinícius Fernandes
Vídeos
[Videos]
Participação
[Featuring]
Clara Rabha, Lafayette Galvão, Miwa Yanagizawa
Fotografia
[Cinematography/photography]
Ismael Monticelli, Vinícius Fernandes
Edição
[Editing]
Vinícius Fernandes