



O metrônomo
de Beckett
Beckett's
metronome
O espaço da instalação O metrônomo de Beckett (2001) organiza-se a partir de uma divisão radical: dois ambientes distintos, um branco e outro negro, estruturam a experiência perceptiva do visitante.
No espaço branco instala-se a série Paisagem. Trata-se de uma mesma imagem reiterada: o performer, trajando um volumoso casaco de pelos, encontra-se no interior de um armário metálico hospitalar. A fotografia é apresentada em 150 cópias que variam do brilho extremo — quase branco — à quase total ausência de luz — quase preto.
Dispostas em linha, as imagens funcionam como fotogramas que revelam não diferenças de movimento, mas variações de luminosidade, como se o tempo fosse medido pela intensidade da luz.
No espaço negro, a experiência desloca-se para o campo sonoro e objetual. Em uma das paredes, cinco “armários-chapéus-negros” encontram-se suspensos à altura do olhar, equidistantes entre si. Do interior de cada um emana o som de um metrônomo, em diferentes andamentos: largo… adágio… andante… allegro… presto… O tempo, aqui, torna-se audível e fragmentado.
Na parede oposta, monitores de televisão exibem imagens de uma performance realizada fora daquele espaço, em outros armários — expandindo a instalação para além de seus limites físicos.
Ao fundo, um armário de prateleiras abriga camisas brancas cuidadosamente dobradas, cujas mangas se estendem pelo chão. No interior dessas camisas, duas luzes pulsam em ritmos levemente distintos — à maneira dos metrônomos — convertendo o tecido em corpo sensível, atravessado por batimentos de luz.
The space of the installation Beckett’s Metronome (2001) is structured through a radical division: two distinct environments, one white and one black, organize the visitor’s perceptual experience.
In the white space, the series Landscape is installed. It consists of a single reiterated image: the performer, wearing a voluminous fur coat, stands inside a metallic hospital wardrobe. The photograph appears in 150 copies that range from extreme brightness — almost white — to near total absence of light — almost black. Arranged in a line, the images function like film frames, revealing not differences in movement but variations in luminosity, as if time were being measured through light intensity.
In the black space, the experience shifts toward the sonic and the object-based. On one wall, five “black-hat wardrobes” hang at eye level, evenly spaced. From inside each emanates the sound of a metronome, each set to a different tempo: largo… adagio… andante… allegro… presto… Time here becomes audible and fragmented.
On the opposite wall, television monitors display images of a performance taking place outside that room, inside other wardrobes — extending the installation beyond its physical boundaries.
At the back, a shelving wardrobe holds neatly folded white shirts whose sleeves extend onto the floor. Inside these shirts, two lights pulse at slightly different rhythms — in the manner of the metronomes — transforming the fabric into a sensitive body traversed by beats of light.
Criação
[Conception]
Adriano Guimarães, Fernando Guimarães
Colaboração
[Collaboration]
Marília Panitz
Fotografia
[Photography]
Caio Reisewitz, Dalton Camargos