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Rumor

Whispering
 

Partindo do cruzamento improvável entre os universos de Manoel de Barros e Samuel Beckett, a instalação Rumor (2012) organiza-se em torno da ideia de quase-silêncio e da ocupação de um espaço quase vazio.

 

Em um ambiente concebido como receptáculo — aparentemente neutro, ainda que toda neutralidade cultural seja questionável — apresenta-se uma vasta coleção de recipientes de vidro transparente. Dispostos de forma compacta, os vidros constituem uma presença simultaneamente densa e etérea, como se desenhassem uma paisagem de leve opacidade.

 

Incrustado nessa massa translúcida — quase por ela engolido — encontra-se um piano mudo, destituído de função sonora. Diante dessa composição, uma cadeira vazia sugere a posição de escuta do visitante.

 

É desse ponto que se percebe um murmúrio contínuo: fragmentos de O Inominável, de Beckett, emergem como vozes rarefeitas no espaço. Entre a documentação das insignificâncias, à maneira de Manoel de Barros, e a fala que persiste mesmo à beira do apagamento, a instalação constrói um campo sensorial feito de presenças mínimas.

Emerging from the unlikely intersection between the universes of Manoel de Barros and Samuel Beckett, the installation Whispering (2012) is structured around the idea of near-silence and the occupation of an almost-empty space.

 

Within an environment conceived as a receptacle—ostensibly neutral, though the neutrality of any cultural construction remains questionable—a vast collection of transparent glass vessels is presented. Arranged in a compact formation, the glass elements create a presence that is at once dense and ethereal, forming a kind of landscape of subtle opacity.

 

Embedded within this translucent mass—almost swallowed by it—stands a silent piano, stripped of its sonic function. Facing this composition, an empty chair suggests the visitor’s position of listening.

 

From this point, a continuous murmur can be perceived: fragments from The Unnamable, by Beckett, emerge as rarefied voices in the space. Between the documentation of insignificances, in the spirit of Manoel de Barros, and speech that persists on the verge of disappearance, the installation constructs a sensory field composed of minimal presences.

Criação

[Conception]

Adriano Guimarães, Fernando Guimarães, Ismael Monticelli

 

Voz

[Voice]
Luís Melo, a partir de O inominável de Samuel Beckett
[based on The Unnamable by Samuel Beckett]

Fotografia

[Photography]
Daniel Mira, Emilia Silberstein, Ismael Monticelli, Thiago Sabino, Vinícius Fernandes

Vídeo

[Video]
Vinícius Fernandes

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